2h atrás
Emissão de bonds corporativos nos EUA supera US$ 1,68 trilhão com alta dos yields dos Treasuries
Com o yield do Treasury de 10 anos encostando em 5%, tesoureiros de empresas americanas voltaram a reavaliar o custo de captação. Até agosto de 2026, a emissão de títulos corporativos investment grade nos EUA somou cerca de US$ 1,68 trilhão, avanço de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior. As projeções para o ano cheio já passam de US$ 1,9 trilhão.
O aperto nos yields ganhou tração no início a meados de setembro, quando o Treasury de 10 anos oscilou em torno de 4,94% a 4,97%, patamar não visto desde 2023. Persistência de preocupações com inflação global, incerteza sobre o timing e a magnitude dos ajustes de juros pelo Federal Reserve e déficits fiscais elevados seguem entre os principais vetores do movimento.
Nos pontos mais altos de 2026, os yields de crédito high grade superaram 5,5%. Esse é o custo enfrentado por companhias blue chip, com balanços robustos, para tomar recursos. Alguns anos atrás, muitas delas conseguiam travar cupons abaixo de 3%.
No começo do ano, parte das empresas adiou emissões quando os yields dispararam, na expectativa de uma correção. Algumas conseguiram. Outras viram os juros avançarem ainda mais e decidiram acessar o mercado mesmo assim, avaliando que o custo atual pode parecer menos oneroso à frente.
Tecnologia puxa a oferta. O setor, especialmente empresas que estão direcionando capital para infraestrutura de inteligência artificial, virou a principal fonte de novo volume no mercado. A necessidade de recursos é elevada para expandir data centers, comprar chips especializados e ampliar capacidade de processamento.
A oferta recente de US$ 25 bilhões em bonds da Oracle recebeu mais de US$ 129 bilhões em ordens, cerca de cinco dólares de demanda para cada dólar ofertado. Mesmo com a alta das taxas de referência, os spreads de crédito — o prêmio sobre os Treasuries para compensar o risco corporativo — chegaram a estreitar. Em outras palavras, o prêmio de risco cobrado caiu, ainda que o custo total de financiamento tenha subido.
Para o mercado, analistas já consideram a possibilidade de o ritmo de emissões corporativas superar o de Treasuries. Quando as empresas inundam o mercado com títulos, disputam o mesmo dinheiro do investidor com o governo, o que pode pressionar os yields e reforçar o ciclo.
Para companhias que precisam refinanciar dívidas, o timing é decisivo. Quem emitiu bonds de cinco anos a 3% em 2021 agora encara custo de rolagem perto do dobro. Para investidores, títulos investment grade pagando acima de 5,5% oferecem retorno que concorre com expectativas de ações, com a vantagem relativa do status de credor sênior. A procura vista em operações como a da Oracle indica que investidores institucionais já fizeram essa conta e vêm ajustando suas alocações.