Strategy suspende compras de bitcoin até STRC voltar a US$ 100 — ou BTC cair para US$ 10 mil
Resumo de mercado por IA
A Strategy, a maior detentora corporativa identificada de BTC, está pausando novas compras de Bitcoin até que suas ações preferenciais (STRC) se recuperem para o valor nominal de US$ 100, priorizando a liquidez ao construir uma reserva de ~US$ 3 bilhões. Isso reduz, no curto prazo, uma importante fonte alavancada de demanda incremental por BTC, ao mesmo tempo em que sinaliza defensividade do balanço, em vez de capitulação. A administração afirma que o risco de solvência só se torna relevante em um cenário extremo de queda do BTC.
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A Strategy, maior detentora corporativa conhecida de bitcoin, colocou em pausa novas compras da criptomoeda e condicionou a retomada à recuperação de sua ação preferencial Stretch (STRC) para o valor de face de US$ 100. Ainda assim, a empresa diz não ver necessidade de mudanças mais drásticas a menos que o BTC despenque para a faixa de US$ 8 mil a US$ 10 mil.
Em entrevista à Bloomberg TV, o CEO Phong Le afirmou que o plano é direto: levar a STRC de volta ao par e, a partir daí, emitir mais preferenciais para financiar novas aquisições de bitcoin. "Quando a Stretch voltar ao par, vamos emitir mais. Vamos comprar bitcoin. Podemos continuar reforçando nossa reserva em dólares", disse, acrescentando que não sabe quanto tempo esse processo pode levar.
Segundo Le, a emissão de preferenciais é peça central da estratégia de capital por ser "muito acrecitiva" para o bitcoin por ação. O problema é que a STRC está abaixo do par desde meados de maio e, na quarta-feira, operava perto de US$ 89. Emitir abaixo de US$ 100, nesse contexto, significaria captar com desconto e reduzir o ganho de eficiência por ação que a companhia busca.
A Strategy não compra BTC desde o fim de junho. No período, levantou US$ 467 milhões com a venda de ações ordinárias e elevou sua reserva em dólar para cerca de US$ 3 bilhões, montante que, segundo a empresa, cobre dois anos de dividendos. Le descreveu a mudança como uma evolução de "empresa de tesouraria de bitcoin" para uma "plataforma completa de capital digital", com maior foco em liquidez e flexibilidade.
Ele atribuiu à construção dessa reserva a melhora recente da STRC, que teria subido de cerca de US$ 75 para perto de US$ 90, ao reforçar a confiança dos investidores.
Le também rejeitou a leitura de que a Strategy estaria recuando. A companhia detém mais de 840.000 BTC, o equivalente a aproximadamente 4% do limite máximo de 21 milhões. Ele lembrou que o bitcoin negocia US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões por dia e afirmou que as vendas recentes de US$ 216 milhões "não mexeram no mercado".
Essas vendas começaram após o cofundador Michael Saylor reduzir no mês passado a posição de cerca de US$ 54 bilhões, reacendendo o debate sobre a sustentabilidade do "volante" de dívida e ações, usado desde 2020 para financiar parte das compras. Para analistas do Standard Chartered, a movimentação é "em grande parte ruído".
Duas semanas atrás, a Strategy apresentou uma nova estrutura de capital que dá mais margem para vender BTC, recomprar títulos e proteger a liquidez — mecanismo que, segundo Le, foi desenhado para atravessar períodos de volatilidade.
O CEO também descartou uma reportagem da Bloomberg sobre supostas negociações de fundos estressados para realizar swaps envolvendo a STRC, afirmando que a empresa não teve "nenhuma conversa material" sobre esse tipo de operação.
Sobre um cenário extremo, Le disse que os riscos reais de dívida só aparecem se o bitcoin cair "mais perto de US$ 8.000 a US$ 10.000". Até lá, afirmou, o balanço permanece confortável. "Já passamos por isso em 2022. Estamos passando por isso em 2026, e estou bem animado com o próximo bull market do bitcoin", acrescentou.
Nos preços, a ação ordinária da Strategy (MSTR) acumula queda superior a 77% em 12 meses. No mesmo intervalo, o bitcoin recuou cerca de 45% e negocia por volta de metade do recorde histórico de outubro, mantendo o motor das preferenciais abaixo do nível que a empresa considera necessário para retomar as compras.
No mercado de apostas, a plataforma Myriad (da Dastan, controladora da Decrypt) atribui apenas 13% de chance de a Strategy ultrapassar 1 milhão de BTC antes de 2027. Para isso, a companhia teria de comprar mais de 150.000 BTC com menos de um ano pela frente.
Em resumo, a Strategy interrompeu temporariamente as compras, mas não abandonou o plano. A prioridade é liquidez: a empresa espera a STRC retornar ao valor de face — ou uma virada mais favorável do mercado — para reativar as aquisições financiadas por emissões de preferenciais, e afirma que só uma queda catastrófica do BTC para a faixa de US$ 8 mil a US$ 10 mil exigiria uma revisão mais profunda da estratégia.