Morgan Stanley rebaixa Circle e corta preço-alvo para US$ 38 com dúvidas sobre ritmo do USDC
Resumo de mercado por IA
O Morgan Stanley rebaixou a Circle para Underweight e cortou seu preço-alvo para US$ 38, citando um crescimento da circulação do USDC mais lento do que o esperado e a intensificação da concorrência de produtos de caixa tokenizado que pode comprimir a economia da renda de reservas. A nota também destaca a tração limitada em volumes de pagamentos no mundo real e potenciais custos de distribuição mais altos decorrentes da mecânica do OpenUSD. Uma iniciação otimista no mesmo dia pela TD Cowen ressalta uma Street dividida, mas o rebaixamento pressiona o sentimento.
Nível de impacto
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As ações da Circle recuaram após a Morgan Stanley reduzir projeções e preço-alvo, reacendendo o debate sobre a capacidade da emissora de stablecoins de sustentar receitas baseadas em reservas à medida que o mercado muda.
Na segunda-feira, o banco rebaixou a Circle Internet Group de Equal Weight para Underweight e derrubou o preço-alvo de US$ 106 para US$ 38. A tese é que a adoção do USDC no longo prazo tende a ser menor do que o estimado anteriormente e que cresce a pressão sobre o modelo de receita ligado ao rendimento das reservas.
O relatório veio acompanhado de queda de quase 6% no pré-mercado, com o papel ao redor de US$ 58,81 após a divulgação da nota. No mesmo dia, a TD Cowen iniciou cobertura com recomendação de Buy e preço-alvo de US$ 82.
O que a Morgan Stanley apontou
O analista James Faucette reduziu as premissas de circulação do USDC em cerca de 33% para 2027 e 44% para 2028, afirmando que o USDC não avançou tão rápido quanto o esperado. O banco também cortou as estimativas de EPS (GAAP) da Circle para cerca de 3% abaixo do consenso em 2027 e aproximadamente 20% abaixo do consenso em 2028.
A Morgan Stanley destacou a concorrência de produtos de "caixa tokenizado", como fundos de mercado monetário tokenizados e depósitos tokenizados, que podem desviar capital das reservas do USDC e reduzir a receita com yield dessas reservas.
O relatório também citou a iniciativa OpenUSD do USDC, argumentando que a governança compartilhada e a mecânica de reservas podem elevar custos de distribuição. Já os volumes de pagamentos "agentic" seguem pouco relevantes: a estimativa do banco é de cerca de US$ 41.900 por dia, o que implicaria ticket médio de aproximadamente US$ 0,24.
A corretora ainda questionou a meta de longo prazo da Circle de manter, em média, 40% ao ano de crescimento do USDC ao longo dos ciclos, dizendo que o USDC "praticamente não cresceu" desde o 3º trimestre do ano passado.
Contexto de mercado e mix de transações
Com base em dados da McKinsey, a Morgan Stanley afirmou que stablecoins processaram cerca de US$ 35 trilhões em volume ajustado de transações em 2025, mas somente aproximadamente US$ 390 bilhões seriam pagamentos identificáveis no mundo real. A maior parte do uso continuaria concentrada em trading e transferências cripto, e não em comércio.
Os casos de uso em pagamentos permanecem mais presentes em transações corporativas transfronteiriças, remessas e gastos via cartões vinculados a stablecoins. Segundo a Morgan Stanley, essas frentes ainda não geraram saldos duráveis e economia recorrente de transações suficientes para compensar a pressão sobre o negócio de renda de reservas da Circle.
Visão oposta: TD Cowen
A TD Cowen iniciou cobertura com leitura mais construtiva, recomendação de Buy e preço-alvo de US$ 82. O analista Bryan Bergin afirmou que a Circle estaria evoluindo para além da emissão de stablecoins, construindo infraestrutura financeira com produtos em pagamentos, serviços de tesouraria, ativos do mundo real tokenizados, interoperabilidade e ferramentas para desenvolvedores. O objetivo seria diversificar receitas ao longo do tempo e capturar a adoção institucional de stablecoins.
Wall Street dividida
A cobertura segue fragmentada. Segundo a LSEG, 16 de 30 analistas recomendam Hold ou Sell, enquanto 14 indicam Buy ou Strong Buy, refletindo divergência sobre o ritmo de crescimento e a resiliência do modelo de negócios.
Avanços regulatórios, reação morna do mercado
A Circle reforçou sua posição regulatória ao obter uma charter de trust de propósito limitado junto ao New York Department of Financial Services para a Circle New York Trust, complementando uma autorização federal de trust bank do OCC concedida em julho (Circle National Trust). A empresa afirma que a emissão do USDC seguirá inicialmente pelo trust de Nova York antes de migrar para a estrutura federal.
O CEO Jeremy Allaire descreveu a autorização em Nova York como um objetivo de longo prazo que traz clareza regulatória; a Circle também esteve entre os primeiros recebedores de BitLicense, em 2015. Ainda assim, os marcos regulatórios não sustentaram o papel: em 31 de julho, as ações caíram 2,54% mesmo com a ARK Invest, de Cathie Wood, comprando 109.129 ações via ETFs antes do resultado do 2º trimestre.
O que acompanhar
A nota da Morgan Stanley reforça que, apesar do avanço regulatório, o futuro da Circle depende da adoção do USDC e do nível de atividade transacional, além da capacidade de gerar receita relevante para além do rendimento das reservas. Investidores devem monitorar a circulação do USDC, o desempenho de produtos tokenizados como o USYC, a tração de pagamentos "agentic" e se a estratégia de diversificação se converte em receita recorrente.
Outro possível catalisador é o Clarity Act, proposta que pode definir um arcabouço regulatório nos EUA para criptoativos.
Em resumo, analistas seguem divididos sobre se a ambição da Circle de se tornar uma plataforma mais ampla de infraestrutura financeira compensa os riscos de curto prazo para o modelo de receita baseado em reservas, em um cenário de competição crescente e mudanças na economia das stablecoins.