Bancos aceleram investimentos em ativos digitais, mas só 16% já operam soluções em produção
Resumo de mercado por IA
Uma pesquisa da Fireblocks com 638 executivos do setor financeiro mostra que ~89% das instituições assumiram o compromisso ou planejam comprometer o orçamento de 2026 com infraestrutura de ativos digitais, mas apenas 16% relatam implantações em produção ao vivo. A lacuna destaca atrito de execução e integração no curto prazo, apesar de um gasto relevante (53% alocando US$ 1 mi+). Os respondentes veem cada vez mais a regulação (MiCA e orientações mais claras nos EUA) como um roteiro de suporte e enxergam as fintechs como o principal impulsionador competitivo, reforçando o momentum de institucionalização.
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Quase nove em cada dez instituições financeiras afirmam que vão destinar recursos à infraestrutura de ativos digitais em 2026, mas apenas uma parcela bem menor já colocou iniciativas no ar. Esse descompasso é o principal destaque do relatório da Fireblocks, "Financial Grid: Banking, Digital Assets, And The Infrastructure Decisions Defining 2026", baseado em uma pesquisa com 638 executivos C-level e tomadores de decisão de instituições financeiras e empresas no mundo.
O levantamento foi conduzido pela The Value Exchange em janeiro de 2026 e abrangeu América do Norte, Europa, América Latina, Ásia-Pacífico (APAC) e Oriente Médio e África. O retrato é de um setor que, de forma ampla, concluiu que ativos digitais importam, mas ainda busca o caminho para transformar intenção em operação.
Investimento aprovado, produto ainda em construção
Cerca de 88–89% dos entrevistados já comprometeram ou planejam comprometer orçamento para infraestrutura de ativos digitais ainda em 2026. Apenas 11% dizem que devem empurrar os gastos para 2027, sinalizando consenso de que a tecnologia merece investimento.
Na prática, a maturidade de implantação é bem menor: só 16% das instituições chegaram ao status de produção. A maior parte permanece em planejamento, pilotos ou prova de conceito.
O desembolso, por sua vez, não é marginal. Aproximadamente 53% informam que vão alocar US$ 1 milhão ou mais em 2026 especificamente para iniciativas de ativos digitais em escala de produção. Em 55% das instituições, executivos do C-level lideram diretamente os esforços em blockchain e ativos digitais. A principal motivação citada é a transformação da infraestrutura financeira, apontada em 50% dos casos.
Pressão competitiva vem das fintechs
Quando perguntados sobre a origem da competição, os bancos não apontam outros bancos como ameaça principal. Para 43% dos respondentes, a maior pressão vem de fintechs e provedores de serviços de pagamento, fator que está moldando suas estratégias em blockchain e ativos digitais.
Os casos de uso priorizados refletem esse foco: soluções de pagamentos aparecem entre as aplicações mais relevantes, ao lado de valores mobiliários tokenizados. Do lado de ativos, as prioridades se concentram em stablecoins, depósitos tokenizados e valores mobiliários tokenizados.
Regulação deixa de ser entrave e vira referência
A pesquisa também indica uma mudança clara na leitura regulatória. Para 96% dos participantes, os próximos marcos regulatórios — incluindo o MiCA na Europa e a evolução das diretrizes nos Estados Unidos — devem ser favoráveis ou muito favoráveis à adoção de ativos digitais.
O MiCA, já em plena vigência na União Europeia, estabelece um arcabouço abrangente para os mercados de criptoativos, emissão de stablecoins e licenciamento de prestadores de serviço. Nos EUA, o ambiente regulatório vem se ajustando sob condições políticas mais receptivas ao setor, com orientações mais claras sobre como bancos podem custodiar, negociar e oferecer produtos ligados a ativos digitais.