Falha de segurança na Coldcard é ligada a roubo de US$ 100 milhões em Bitcoin e acende alerta no setor

Resumo de mercado por IA
Uma fraqueza reportada na geração de mnemônico de carteira de hardware Coldcard (RNG previsível) está ligada a um grande roubo de BTC e a uma atividade elevada de transferências de pequeno porte, ampliando as preocupações de curto prazo com segurança e custódia. O principal impacto de mercado é a confiança: a desconfiança pode transbordar de um único fornecedor para práticas mais amplas de autocustódia, potencialmente deslocando fluxos para custodiante renomados e aumentando o escrutínio sobre a segurança de carteiras, auditorias e a descoberta de vulnerabilidades habilitada por IA.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
BTC/USDT+1.09%
Insight de IA · BTC/USDTInsight de IA
▼ Baixista
Negociar agora
⚠️ Os insights gerados por IA são baseados em conteúdo de notícias e fornecidos apenas para fins informativos. Eles não constituem aconselhamento de investimento nem representam as opiniões da BingX. Investir envolve riscos. Negocie com responsabilidade.
Uma vulnerabilidade de cinco anos atrás acabou, de forma inesperada, associada ao que vem sendo descrito como o maior roubo de Bitcoin do ano. Em 30 de julho, analistas identificaram um comportamento anômalo: centenas de bitcoins foram rapidamente concentrados a partir de centenas de endereços. Na sequência, o ataque ganhou escala com varreduras de milhares de endereços, resultando no furto de quase 2.000 BTC, avaliados em centenas de milhões de dólares. A origem do problema foi apontada pouco depois: um bug no processo de geração de mnemônicos (seed phrase) da carteira de hardware Coldcard, ligado a números aleatórios fracos — na prática, a aleatoriedade seria previsível. Por ter poucos usuários na China, o caso inicialmente teve repercussão limitada no país, mas ganhou grande tração no exterior, onde a Coldcard é bastante conhecida. Com a escalada ao longo de alguns dias, o sentimento de pânico atingiu o ápice. Em 31 de julho, o volume total de transferências de Bitcoin inferiores a 1 BTC chegou a 39.600 BTC, maior nível desde o colapso da FTX em 2022. Há a hipótese de que a falha tenha sido encontrada e explorada com auxílio de um modelo de IA, em linha com o tipo de impacto observado em outros episódios do mercado, como o do Zcash, que chegou a cair 50% em um único dia. Neste caso, a leitura predominante é que o choque principal recai sobre a confiança — um efeito difícil de mensurar. Para entender o que está acontecendo na ponta, a BlockBeats ouviu Yu Xian (Cosine), fundador da SlowMist, que vem ajudando algumas vítimas e acompanhando o caso de perto. Na visão dele, o impacto é profundo por atingir um núcleo duro de entusiastas e "crentes" em Bitcoin. BlockBeats: A Coldcard contratou alguma empresa de segurança para apoiar a recuperação dos ativos? Como os bitcoins roubados já valem mais de US$ 100 milhões, há chance real de recuperação? Cosine: Ainda não está claro qual grupo hacker está por trás; será preciso observar como eles conduzem as próximas movimentações para inferir a origem. Se no fim for confirmado que se trata de uma organização patrocinada por um Estado (como hackers norte-coreanos), a recuperação será extremamente difícil. Fora a emissão de alguns avisos de segurança, a equipe oficial ainda não acionou um time especializado. Por enquanto, vítimas de dispositivos Coldcard comprometidos têm nos procurado para tentar recuperar os ativos. BlockBeats: Pelo que se sabe até agora, a causa essencial é que o número aleatório deixou de ser aleatório. Problemas com aleatoriedade aparecem quase todos os anos na história do setor cripto. Por que este parece tão grave? Cosine: Se olharmos só para quantidade e valor, alguns milhares de bitcoins não são, historicamente, o maior caso; houve episódios como Mt. Gox, BitFinex e o pool da LBank, com perdas de centenas de milhares ou até milhões de bitcoins, e um hack de bridge pode superar isso com facilidade. O ponto aqui é a reputação da Coldcard: é open source, transparente, minimalista, e há muito tempo é preferida por muitos Bitcoin OGs e convictos. Quando algo considerado "perfeito" falha, o golpe é enorme justamente em quem mais acreditava. Cosine: No centro do problema está uma entropia extremamente insuficiente na geração do mnemônico, deixando a aleatoriedade do seed muito abaixo do esperado. Isso permite que atacantes façam brute force de colisões e recuperem os mnemônicos dos usuários. É uma falha de segurança das mais básicas e críticas na proteção de criptoativos. Cosine: O mais absurdo é que, com modelos de IA tão poderosos hoje, nem a Coldcard nem os próprios entusiastas do Bitcoin pararam para revisar o código com IA — mas os hackers fizeram. E se o foco for especificamente em vulnerabilidades de aleatoriedade na geração do seed, a IA moderna consegue identificar e sinalizar isso com relativa facilidade. Por isso o caso ganhou essa dimensão: atingiu o grupo central de crentes. BlockBeats: Levando essa leitura adiante, esse roubo pode ter um impacto de longo alcance na indústria? Cosine: Quando uma carteira de hardware open source, com perfil "geek" e reputação consolidada, apresenta problemas sob a premissa de ser "perfeita", isso corrói a confiança da comunidade em produtos semelhantes. O usuário passa a pensar: será que minha carteira atual também tem falhas? As seeds que eu gerar daqui para frente são realmente seguras? BlockBeats: Você recomenda que projetos cripto passem a usar ferramentas de IA para varrer código em busca de vulnerabilidades? Como a SlowMist lida com isso? Cosine: Recomendo. O impacto da IA na indústria de segurança é muito maior do que o público imagina. Hackers quase não têm restrições e podem construir modelos muito potentes de forma deliberada. Do lado defensivo, há limitações de acesso a modelos, capacidade computacional, censura e outras. Cosine: Nós não auditamos o código-fonte de blockchains públicas como Bitcoin e Ethereum por falta de recursos; priorizamos clientes-chave para reduzir riscos na era da IA. Ao usar IA para revisar projetos antigos, encontramos vários problemas que antes passaram despercebidos — a eficácia tem sido excelente. BlockBeats: Isso leva a uma pergunta mais pessimista: à medida que os modelos ficam mais fortes, a desconfiança em tecnologias cripto mais antigas pode aumentar? O Zcash teve algo semelhante? Cosine: Sim. Segurança nunca é 100%: ataque e defesa evoluem continuamente um em resposta ao outro. Hackers têm muito mais incentivo e capacidade de usar IA do que defensores, porque uma invasão bem-sucedida permite monetização direta, com retorno altíssimo. Defensores ficam presos a processos e recursos limitados. Nesse desequilíbrio, incidentes em escala muito maior do que a anterior são inevitáveis — com perdas potencialmente na casa de bilhões de dólares — e até o próprio código do Bitcoin pode, no futuro, ter vulnerabilidades descobertas. Cosine: No geral, não sou pessimista quanto à capacidade do setor de reagir. Ataque e defesa sempre vão coexistir, e sistemas criptográficos tendem a ficar mais robustos com o tempo. BlockBeats: Alguns começam a enfatizar as vantagens das exchanges centralizadas, argumentando que seriam mais seguras. Qual sua visão? Cosine: Algumas grandes exchanges centralizadas investiram bem em segurança básica e têm capacidade de contingência quando algo dá errado, a menos que seja um evento super catastrófico. Para a maioria, é difícil lidar sozinha com tarefas complexas como seed phrase e configurações de multisig; antes, muitos escolhiam carteiras por recomendações e boca a boca. Este episódio deixou claro que até carteiras amplamente confiáveis podem ter vulnerabilidades. Por isso, parte dos usuários se sente mais tranquila mantendo ativos em exchanges centralizadas de boa reputação — é um ponto de vista razoável. BlockBeats: Para usuários comuns, que não entendem de tecnologia e não revisam código de carteira, como se proteger de casos como o da Coldcard? Cosine: Primeiro, recomendamos que todos usem passphrase junto da seed phrase — uma segunda senha que adiciona uma camada extra de proteção, muito superior a não usar passphrase. Use uma passphrase de pelo menos 8 caracteres, com alguma complexidade, e garanta que você não vai esquecê-la. A maioria das carteiras de hardware populares já suporta esse recurso. Cosine: Mesmo que algo parecido aconteça de novo, hackers vão priorizar o escoamento de fundos de endereços sem passphrase, o que dá uma proteção relevante ao patrimônio principal. Um exemplo prático: mantenha um valor pequeno em um endereço padrão (sem passphrase) e deixe quantias maiores em endereços protegidos por passphrase. Se o valor pequeno for roubado, isso sinaliza que sua seed foi comprometida — e o custo elevado de brute force na passphrase compra tempo valioso. Cosine: Para quem é totalmente leigo, a recomendação é usar serviços de instituições centralizadas e contar com suporte caso surjam problemas. Cosine: Além disso, três orientações gerais: · Revise seus ativos: avalie se sua lembrança sobre a criação da carteira é vaga ou se a seed pode ter sido exposta. Se houver dúvida, considere mudar a forma de custódia. · Mantenha a calma: evite cair em carteiras falsas ou golpes de phishing por agir com pressa. · Mentalidade de isolamento: coloque ativos incertos em um dispositivo separado (inclusive um que possa ficar desconectado da internet) e não misture tudo no mesmo ambiente — isso é mais seguro do que presumir que está tudo bem. Cosine: Com essas práticas, dá para evitar mais de 90% dos riscos comuns.