Falha na carteira Coldcard permite roubo de 1.778 BTC, avaliados em US$ 112 milhões
Resumo de mercado por IA
Uma vulnerabilidade de firmware da Coldcard ligada a uma geração de seed defeituosa supostamente permitiu que atacantes coordenados drenassem ~1.778 BTC (~US$ 112 milhões) de milhares de endereços, destacando um risco operacional sistêmico de autocustódia. Mesmo o firmware corrigido não protege carteiras criadas sob versões vulneráveis, forçando a regeneração da seed e a migração de fundos. O incidente pode pressionar a confiança do mercado em carteiras de hardware, elevar o escrutínio de segurança em toda a indústria entre fornecedores de carteiras e aumentar temporariamente a movimentação on-chain à medida que usuários afetados rotacionam chaves.
Nível de impacto
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A Coinkite, fabricante das carteiras físicas Coldcard, lida com as consequências do que já é considerado o maior incidente de segurança já registrado nesse segmento. Uma vulnerabilidade no firmware permitiu que invasores retirassem mais de 1.778 Bitcoin — cerca de US$ 112 milhões aos preços vigentes — a partir de mais de 5.000 endereços.
O desvio começou em 30 de julho de 2026. Em 41 minutos, os atacantes varreram mais de 1.000 BTC de mais de 1.000 endereços. Em meados de agosto de 2026, aproximadamente 1.531 BTC ainda permaneciam parados, sem movimentação, em carteiras sob controle dos invasores.
Falha antiga, exposta ao longo dos anos
A origem do problema remonta a uma atualização de firmware enviada pela Coinkite em março de 2021, a versão 4.0.1. O update introduziu um erro no processo de geração da seed phrase — etapa em que a carteira cria a chave-mestra que controla todos os fundos armazenados no dispositivo.
Em vez de usar a aleatoriedade do gerador de números aleatórios de hardware (RNG) dedicado do aparelho, o código defeituoso redirecionou a geração para um gerador pseudoaleatório baseado em software (PRNG). A distinção é crítica: um PRNG de software tende a ser muito mais previsível do que sua contraparte em hardware, e previsibilidade em criptografia equivale, na prática, a uma porta aberta.
Segundo a Galaxy Research, um desenvolvedor já havia sinalizado um problema relacionado à Coinkite em maio de 2025. A vulnerabilidade teria ficado sem correção tempo suficiente para que atacantes criassem e implantassem ferramentas de exploração em escala, atingindo vários modelos da Coldcard, incluindo Mk2, Mk3, Mk4, Q e Mk5. A Galaxy Research afirma ter confirmado ao menos uma dúzia de atacantes distintos, todos explorando a mesma fraqueza.
Resposta da Coinkite e orientação aos usuários
A Coinkite publicou um alerta de segurança em 30 de julho, no mesmo dia em que os ataques começaram. Em 31 de julho, a empresa disponibilizou firmware corrigido para os modelos afetados. O CEO Rodolfo Novak pediu desculpas publicamente pelo incidente.
Para quem possui uma Coldcard, há um ponto central: atualizar o firmware não basta. Como o erro comprometeu a geração da seed no momento da criação da carteira, qualquer seed phrase gerada em versões vulneráveis permanece comprometida, independentemente do firmware instalado hoje.
A recomendação da Coinkite é que usuários afetados gerem seed phrases totalmente novas com o firmware corrigido e transfiram imediatamente todos os fundos para as novas carteiras.
Impacto no debate sobre autocustódia
O setor cripto vem defendendo há anos que a autocustódia é mais segura do que confiar em uma exchange centralizada. O caso Coldcard torna essa narrativa mais complexa: quando a carteira física é comprometida no nível de firmware, o usuário vira a última linha de defesa — e, em geral, só descobre o problema quando os fundos já desapareceram.
Uma falha introduzida em 2021, apontada em 2025 e explorada em 2026 é um cronograma desconfortável para uma indústria que vende carteiras de hardware como padrão-ouro de segurança. Para consumidores e pesquisadores, a cobrança tende a ser direta: como comprovar que a implementação de RNG realmente usa entropia de hardware e, quando não usa, quão rápido é possível distribuir um patch verificado.