BitMine coloca 160.480 ETH em staking e trava 86% do caixa cripto antes de entrar no Russell 1000
A BitMine, comandada por Tom Lee, ampliou de forma agressiva o staking do seu tesouro em Ethereum às vésperas da estreia no índice Russell 1000, reforçando o debate sobre como empresas listadas estão administrando grandes reservas em criptoativos.
Dados do rastreador on-chain Lookonchain indicam que a companhia adicionou mais 160.480 ETH em staking (cerca de US$ 248,7 milhões). Com isso, o total em staking chega a aproximadamente 4,88 milhões de ETH, o equivalente a 86% de suas posições em Ethereum, avaliadas em cerca de US$ 7,56 bilhões aos preços atuais.
O movimento ocorre após a atualização de posições de 22 de junho, quando a BitMine informou deter 5.672.956 ETH, 205 BTC, US$ 601 milhões em caixa e títulos negociáveis, além de participações na Beast Industries e na Eightco Holdings. A empresa também afirmou não ter dívida.
O aumento do staking coincide com a inclusão programada do papel BMNR no Russell 1000 em 26 de junho, dentro da reconstituição de 2026 dos índices dos EUA da FTSE Russell, marcando o retorno ao rebalanceamento semestral. A entrada no índice costuma gerar negociações de curto prazo por parte de fundos passivos e gestores que acompanham os benchmarks Russell, ampliando a visibilidade da ação, embora não assegure fluxo comprador sustentado.
Em 21 de junho, a BitMine já mantinha 4.718.677 ETH em staking e estima receita anualizada de aproximadamente US$ 223 milhões com a atividade. A empresa afirma que, ao colocar 100% do ETH em staking, pode elevar os rendimentos anuais por meio de sua rede de validadores e de parceiros.
Na visão da administração, o presidente do conselho Tom Lee destacou o ritmo recente de compras: \u0022Na última semana, adquirimos 52.203 ETH\u0022, e descreveu o ambiente como uma \u0022primavera cripto\u0022 ainda em estágio inicial. A BitMine segue priorizando a acumulação de ETH para 2026 e vem sinalizando a ambição de chegar à \u0022alquimia de 5%\u0022 da oferta de Ethereum. A empresa já havia anunciado outra compra de US$ 90 milhões em ETH, elevando sua participação para cerca de 4,7% da oferta.
Com a estratégia, a BitMine passou a ser vista como a maior tesouraria pública de Ethereum. A atividade de suas carteiras e do staking é acompanhada de perto — a página de entidade no Arkham é uma das referências mais citadas —, o que aumenta a atenção tanto para o crescimento quanto para a exposição à volatilidade do ETH.
Grandes detentores de tesouraria podem reduzir a oferta líquida e, em tese, dar suporte aos preços. Em contrapartida, a concentração eleva riscos, especialmente se houver tomada de empréstimos com garantia em cripto, emissão de ações ou venda de ativos em períodos de queda. A BitMine também conecta sua proposta de dividendos BMNP a ações preferenciais à tesouraria em Ethereum e às operações de staking, tornando o rendimento do staking um elemento central do modelo no mercado público, não apenas uma atividade acessória.
No curto prazo, o teste será duplo. Em 25 de junho, BMNR era negociada perto de US$ 13,32, enquanto o ETH girava em torno de US$ 1.550. O mercado acompanha se a inclusão no Russell 1000 conseguirá sustentar a demanda pela ação em meio às oscilações do Ethereum e se a renda do staking compensará os riscos de operar uma das maiores tesourarias públicas de ETH do mundo.