Bitcoin cai abaixo de US$ 80 mil em meio a críticas ao plano do Tesouro de recompras financiadas por caixa de quase US$ 950 bi
Resumo de mercado por IA
O BTC recuperou brevemente os US$ 80.000 à medida que os rendimentos dos Treasuries de prazo longo cederam após relatos de que o Tesouro dos EUA pode usar seu TGA de ~US$ 950 bi para financiar recompras maiores de títulos, um movimento que os mercados interpretaram como liquidez de curto prazo sem expandir o balanço do Fed. No entanto, o rali anterior dos títulos rapidamente reverteu à média e críticos argumentam que o plano pode não suprimir os rendimentos de forma sustentável ou pode levantar preocupações com inflação/dólar. A primeira recompra ampliada em 9 de setembro é o principal ponto de validação.
Nível de impacto
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O bitcoin (BTC) chegou a tocar US$ 80.000 na segunda-feira, mas não sustentou o patamar e devolveu os ganhos. No momento da publicação, a criptomoeda era negociada perto de US$ 78.835, enquanto o mercado digere o debate em torno de uma possível ampliação do programa de recompra de títulos do governo dos EUA.
O gatilho foi a discussão sobre o uso do Treasury General Account (TGA) — a conta corrente do governo no Federal Reserve, abastecida por arrecadação de impostos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, teria permitido que o saldo crescesse, com estimativas em torno de US$ 950 bilhões. O dado mais recente do próprio Tesouro, no demonstrativo diário de caixa, apontou US$ 935,1 bilhões em 20 de agosto.
Segundo a CNBC, citando dois altos funcionários do Tesouro, parte desse caixa poderia ser direcionada para financiar recompras de bonds. O Tesouro já havia dobrado essas operações em 19 de agosto: as recompras na ponta longa passaram de US$ 2 bilhões para, no mínimo, US$ 4 bilhões cada. A primeira está programada para 9 de setembro, conforme anúncio oficial.
A leitura que animou traders é de “encanamento” de liquidez: ao gastar recursos do TGA, o Tesouro não expande o balanço do Fed, apenas transfere dinheiro para reservas bancárias. Para o mercado, isso se assemelha a mais liquidez — tema que tem sustentado o apetite por bitcoin ao longo do mês.
O mercado de títulos, porém, já havia feito esse movimento recentemente e recuado em seguida. Dados de yields do Tesouro mostram que o rendimento do título de 30 anos atingiu 5,31% em 17 de agosto, o maior nível desde 2007. Com a notícia das recompras, cedeu para 5,19% dois dias depois, mas voltou a 5,27% em 21 de agosto, apagando a queda em duas sessões.
Na segunda-feira, houve novo alívio: o yield de 30 anos recuou a 5,21% e o de 10 anos a 4,69%. O bitcoin acompanhou o movimento e testou US$ 80.000, mas perdeu força na sequência.
As críticas ao plano também ganharam volume. Bessent chamou a estratégia de "Treasury Twist", em referência à Operation Twist de 1961, que buscou reduzir juros de longo prazo. A Citadel Securities classificou a iniciativa como "repressão financeira" e alertou que ela pode enfraquecer o dólar e alimentar a inflação, sem atacar os déficits que pressionam os yields.
Peter Schiff, economista-chefe da Euro Pacific Asset Management, afirmou que o plano reduziria de forma relevante o prazo médio da dívida pública, elevando a exposição a altas de juros de curto prazo, o que poderia abrir caminho para uma rodada massiva de QE e inflação fora de controle.
Benjamin Chabot, ex-economista do Federal Reserve Bank of Chicago, questionou o ponto central: para ele, usar o TGA para recomprar títulos pode não ser o fator decisivo, já que os recursos do TGA em grande parte têm destinação comprometida. O que realmente importa, disse, é como o Tesouro pretende recompor o saldo do TGA após as compras.
Do outro lado, Tom Lee, da Fundstrat, avaliou que a mudança favorece ativos de longa duração — incluindo cripto — ao reforçar a tese de suporte para prazos mais longos.
Até agora, o Tesouro ainda não gastou recursos do TGA. O dia 9 de setembro é quando a discussão tende a sair do campo das expectativas e se tornar dado observável.