Bitcoin cai abaixo de US$ 59 mil com PCE dos EUA mais alto e liquidações de US$ 1,26 bi
O Bitcoin rompeu para baixo a marca de US$ 59.000 na quinta-feira, pressionado por dados de inflação nos Estados Unidos mais fortes, aumento das saídas de ETFs e uma onda de liquidações em posições alavancadas, o que levou o mercado cripto a mais um movimento intenso de aversão a risco. Em cerca de uma hora, o BTC recuou de acima de US$ 61.000 para perto de US$ 58.000, atingindo uma nova mínima em 21 meses durante a venda. No momento da publicação, a criptomoeda havia se recuperado para US$ 59.180, ainda com queda de 2,57% nas últimas 24 horas.
O gatilho imediato veio após o índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) mostrar inflação anual de 4,1% em maio, acima dos 3,8% da leitura anterior. Mesmo com números mensal e anual abaixo de algumas projeções de Wall Street, a inflação segue acima do dobro da meta de 2% do Federal Reserve, mantendo a pressão sobre as expectativas de afrouxamento monetário.
Quebra abaixo de US$ 60 mil acelera liquidações
As liquidações ganharam força quando o Bitcoin caiu abaixo de US$ 60.000. Dados da CoinGlass indicaram que as liquidações totais do mercado somaram cerca de US$ 1,265 bilhão em 24 horas, com mais de 209.000 traders zerados. Só na última hora, durante o trecho mais agudo do movimento, as liquidações superaram US$ 500 milhões. Posições compradas (long) concentraram as maiores perdas, à medida que apostas em repique foram forçadas a sair do mercado.
As saídas de ETFs também reforçaram a pressão vendedora: quase US$ 500 milhões deixaram ETFs à vista de BTC na quarta-feira, em linha com a queda abaixo de US$ 60.000, enfraquecendo um dos canais de demanda institucional mais acompanhados. Ethereum e XRP também recuaram com a perda de apetite por risco. O mercado cripto mais amplo permaneceu pressionado, com redução de exposição nos principais ativos e aumento de volatilidade em torno de níveis técnicos relevantes.
PCE reforça cenário de juros altos por mais tempo
O relatório do PCE alimentou a leitura de que o Fed pode manter a política monetária restritiva por mais tempo. Inflação mais alta tende a reduzir a demanda por ativos de risco, ao diminuir as apostas em cortes de juros e favorecer um ambiente de dólar mais forte. O índice do dólar (DXY) voltou recentemente ao nível 100, adicionando pressão sobre o Bitcoin e outros ativos que costumam se beneficiar de maior liquidez.
O mercado também reduziu as expectativas de corte de juros para 2026, em meio a tensões geopolíticas e sinais de inflação resistente. A queda do Bitcoin ocorre com uma estrutura de mercado frágil: holders de curto prazo avaliam que o ímpeto do preço segue enfraquecendo desde que virou negativo em março, com desaceleração para cerca de 24% ano a ano em 23 de junho, segundo a Glassnode. A métrica indica que o custo-base dos investidores de curto prazo continua sob pressão. Em ciclos anteriores, fases de “reset” mais profundo registraram contrações entre -55% e -65%, sugerindo que a queda atual se intensificou, mas ainda não alcançou as zonas históricas mais extremas.
Bitcoin testa suporte de Fibonacci e médias semanais
No técnico, o Bitcoin testa uma área semanal de suporte entre US$ 57.800 e US$ 60.000. A faixa coincide com a retração de Fibonacci de 0,618 em US$ 57.824, calculada do fundo do ciclo perto de US$ 15.525 ao topo próximo de US$ 126.255. O BTC também negocia abaixo da média móvel semanal de 200 semanas em torno de US$ 62.438, patamar que historicamente serviu como suporte de longo prazo em grandes correções. Após perder esse nível, o ativo pode encontrar resistência perto de US$ 62.400 em eventuais repiques.
A média móvel exponencial (EMA) semanal de 200 semanas está mais acima, perto de US$ 68.677, formando uma faixa de resistência mais ampla entre aproximadamente US$ 62.400 e US$ 68.700. Para recompor a estrutura técnica de prazo mais longo, o Bitcoin precisaria recuperar primeiro a média de 200 semanas e, depois, superar a EMA de 200 semanas. Se compradores defenderem a região de US$ 57.800 a US$ 58.000, o BTC pode tentar um alívio em direção a US$ 62.400. Se o suporte ceder, as próximas zonas de baixa ficam próximas de US$ 52.000 e US$ 50.000.