Receita de data center da AMD mais que dobra e chega a US$ 6,7 bi, enquanto games recuam

Resumo de mercado por IA
A receita de data centers da AMD dobrou para US$ 6,7 bilhões, reforçando a aceleração da demanda por infraestrutura de IA para CPUs EPYC e GPUs Instinct, mesmo com jogos caindo 31%. Um impulsionador notável são acordos de capacidade de IA/HPC de longa duração com ex-mineradores de Bitcoin (por exemplo, o acordo de 15 anos e 529MW da Core Scientific), sinalizando uma mudança estrutural de energia e instalações da mineração de cripto para computação contratada. Isso aumenta a visibilidade de receita para a AMD e reclassifica ações de mineradoras como apostas híbridas de infraestrutura.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
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A AMD divulgou um trimestre que evidencia para onde o dinheiro está migrando no setor de tecnologia. A divisão de data center alcançou US$ 6,7 bilhões em receita, mais que o dobro dos US$ 3,2 bilhões registrados no mesmo período do ano passado — alta de 107% na comparação anual. No sentido oposto, a área de games encolheu. A receita caiu 31% em relação a um ano antes, para US$ 779 milhões, com aumentos de preço e escassez de componentes pressionando as vendas de consoles como Xbox Series X/S, PS5 e o Steam Deck. O motor da disparada em data center vai além das compras tradicionais de empresas de nuvem. A demanda por processadores EPYC e GPUs Instinct tem sido impulsionada pela expansão de infraestrutura de IA, que passou a atrair novos participantes, incluindo ex-mineradoras de Bitcoin. A Core Scientific, conhecida anteriormente como operação de mineração proof-of-work, assinou em julho de 2026 um acordo de 15 anos com a AMD para 529 MW de infraestrutura de IA. Sozinho, o contrato pode gerar cerca de US$ 14 bilhões em receita ao longo de sua vigência. A Core Scientific não é um caso isolado. Em meados de 2026, o valor combinado de contratos de IA e computação de alto desempenho (HPC) anunciados por mineradoras de Bitcoin listadas em bolsa, como TeraWulf e Cipher Mining, já ultrapassava US$ 70 bilhões. Essas empresas detêm grandes instalações com energia, refrigeração e ativos imobiliários; redirecionar essa base para cargas de trabalho de IA tende a oferecer receitas mais previsíveis do que a economia volátil da mineração proof-of-work. Nos games, a AMD projetou queda superior a 20% na receita do segundo semestre de 2026 em comparação com o primeiro. Os US$ 779 milhões reforçam o desequilíbrio interno: o segmento disputa recursos com uma divisão de data center que gera quase nove vezes mais receita. A CEO Lisa Su vem apontando data center como principal vetor de crescimento de receita e lucros. No 1º trimestre de 2026, a área somou US$ 5,8 bilhões, alta de 57% ano a ano ante US$ 3,67 bilhões. A aceleração sequencial para US$ 6,7 bilhões no 2º trimestre indica que o ritmo está ganhando força, não perdendo tração. Para investidores em cripto e IA, a leitura muda. Para quem tem posição em companhias de mineração abertas como Core Scientific, TeraWulf ou Cipher Mining, elas deixam de ser apostas puras em Bitcoin e passam a se aproximar de um modelo híbrido de infraestrutura — com receita cada vez mais ligada à demanda por chips da AMD, além do preço do Bitcoin. Um contrato de 15 anos e US$ 14 bilhões oferece uma previsibilidade de caixa que a mineração cripto dificilmente entregaria. Ao mesmo tempo, os mais de US$ 70 bilhões em contratos de IA/HPC assinados por ex-mineradoras indicam que capital e capacidade elétrica deixam de estar disponíveis para a mineração de Bitcoin. Essa realocação pode entrar no debate sobre segurança da rede, especialmente com a aproximação do próximo halving e margens de mineração ainda mais pressionadas.